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Preciso
de contar uma história a uns meninos.
que
história hei-de contar? Ainda por cima decidi que seria de um escritor
chamado Hans Christian Andersen... ele escreveu tantas, tantas, tantas!
Estou
cheia de fome. Não consigo pensar.
(Gosto
imenso da forma como a minha Mãe prepara as ervilhas... põe-lhes
açúcar e sal... é assim como se fosse a imitar a vida com os melhores
sabores que pode ter ao mesmo tempo!). Acho que vou preparar umas
ervilhas com ovos... e depois vou dormir sobre o assunto para ver se
tenho alguma ideia...
A
princesa (do
guardador de porcos)
e a ervilha...
Era
uma vez um príncipe
lindo,
belo, de invejar
sentia-se
muito sozinho
e
só queria casar.
Mas
não com uma qualquer
(uma
qualquer menina)
queria
sim uma princesa
verdadeira
e muito fina!
Era
tal a ansiedade
que
p’lo mundo viajou
à
procura de quem queria
perguntando
a quem sabia...
...mas
inda assim não achou.
Princesas
havia muitas
aos
molhos pelo mundo fora
mas
uma bem genuína
alguém
sabe aonde mora?
(se
souberem de alguma coisa
telefonem-me
a qualquer hora!)
Nada,
nada, uma desgraça
princesa
não encontrava
às
vezes até parecia...
parecia
que seria...
mas
nada lhe agradava.
Uma
era muito bela
cabelo
muito brilhante
limpava
o nariz com o dedo
não
era nada elegante
Uma
com boca perfeita
e
sorriso de encantar
quando
falava dizia
palavrões
de assustar!
Outra
era inteligente
parece
que muito esperta
mas
comia e mastigava
com
a boca toda aberta!
Outra,
ainda, de olho verde
parecia
ser delicada
mas
cuspia para o chão
não
era muito educada.
Acreditam
se eu disser
(e
não me digam que não)
que
uma dessas princesas
deitava
o lixo no chão?
Ai
princesas, Ai princesas
tantas,
tantas a fingir!
Que
é delas, das verdadeiras
onde
se podem achar?
Onde
as vamos descobrir?
O
pobre do nosso príncipe
à
Pátria lá regressou
triste
e desconsolado
pois
noiva não encontrou.
Mas
parece que uma noite
estalou
forte tempestade
trovões,
chuva relâmpagos
juro-vos
que é verdade!
Raios,
coriscos, parecia
que
o mundo chegava ao fim
e
diz quem por lá vivia
que
nunca se viu nada assim
Então
ouviu-se bater
na
porta daquela cidade...
Quem
andaria assim
perdido
na tempestade?
O
velho rei foi abrir
(onde
andavam os criados?)
esquecera-se
das pantufas
e
tinha os pés bem gelados.
A
rainha veio atrás
ainda
meio a dormir
tropeçou
nas suas vestes
e
acabou por cair.
Lá
fora estava uma princesa
mas
princesa não parecia
molhada,
despenteada...
Será?
Será que seria?
Sou
sim, sou uma princesa
verdadeira,
genuína, real
e
empinou o narizito
enquanto
afirmava tal.
(Aqui
entre nós, eu acho,
que
isto é muito bizarro
o
que faz uma princesa
à
noite no meio da rua
sem
um coche, trem ou carro?
Mas
parece, ao que me dizem,
que
fugiu de outra história
uma
daquelas bem tristes
que
se acabou sem glória
O
Guardador de porcos
é
o conto de onde escapou
um
dia talvez vos conte
aquilo
que lá se passou.)
E
afirmava veemente
repetia
aborrecida
eu
cá sou uma princesa
como
é que alguém duvida?
Está
bem, está bem,
lá se ouviu
murmurar
a velha rainha
farta
de tanta princesa
que
lhe batia à portinha.
A
ver vamos, lá pensou,
vou
armar-te ratoeira
e
logo fico a saber
se
és mesmo verdadeira!
Foi
para o quarto de hóspedes
tirou
a roupa da cama
planeou
tudo com calma
enquanto
escolhia um pijama.
Sobre
as tábuas do leito
uma
ervilha colocou
por
cima vinte colchões
e
mais vinte edredões
dos
mais fofos que encontrou
Ali
poria a dormir
a
que se dizia princesa
pensando
com seus botões
cá
p’ra mim estás a mentir
tu
és falsa concerteza!
No
dia seguinte os três
príncipe,
rei e rainha
perguntaram
à menina
como
passara a noitinha.
Ai
foi horrível, horrível!
Nunca
dormi tão mal!
Acho
que nem preguei olho
nem
passei por algo igual!
Não
sei o que a cama tinha
mas
parecia eu que estava
a
dormir sobre uma pedra
que
o meu corpo magoava!
Estou
cheia de nódoas negras
e
até me sinto doente
vejam
lá se não é febre
o
calor que o meu corpo sente!
E
foi assim que souberam
que
aquela menina gentil
era
mesmo uma princesa
e
não era 1 de Abril!
Ora
ali estava então
princesinha
de verdade
até
agradeceram aos Santos
e
à bendita tempestade.
Só
uma princesa autêntica
seria
sensível assim
parece
que esta história
sempre
vai ter feliz fim.
O
príncipe pediu então
a
mão dela em casamento
o
reino não cabia em si
de
tanto contentamento!
Diz
o autor desta história
que
o príncipe agora sabia
que
achara uma princesa
e
dúvidas já não havia.
Por
isso casaram logo
a
festa durou mais de um dia
e
a ervilha ficou exposta
num
museu que lá havia.
Mas
eu cá não acho bem
porque
sou do Clube da Ciência
e
parece-me que faltou
fazer
uma experiência.
Então
e se o príncipe
era
falso e não sabia?
Que
tal experimentar nele a ervilha?
Seria
melhor, não seria?
Ou
talvez não, afinal
que
importância é que isso tem?
Se
estão muito apaixonados
não
vou perturbar ninguém!
Se
esta história é verdadeira
(e
o autor diz que sim)
não
sei se querem saber
se
quiserem, logo à noite
vou
deitá-la numa cama
que
eu própria vou fazer
tal
como fez a rainha.
E
se a história dormir mal
e
ficar toda amassada...
Maravilha!
Maravilha!
É
uma história verdadeira
que
mesmo com vinte colchões
e
mais vinte edredões
ainda
sente uma ervilha!
(Depois de ler este
poema... deve contar-se a história do Guardador de Porcos... Tudo fica
de repente mais claro!)
Os textos
podem ser utilizados com indicação do nome da autora Teresa Martinho Marques
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